Sidarta, filho de um chefe local, nasceu em Lumbini, nas planícies do sul do Nepal. Cresceu rodeado de tudo — jardins, música, comida, conforto, etc... Um dia, já com 29 anos, cansado daquela vida, fugiu, convencido que poderia ter uma melhor resposta para a sua vida longe do local onde vivia.
Decidiu e foi para a floresta. Escolheu um tipo de vida oposta, mais modesta onde o luxo e a fartura deixaram de existir: fez um longo jejum até se verem ossos das costelas. Dormiu sobre espinhos. Deixou de lavar o corpo. Viveu assim 6 anos. Chegou a comer, dizem as antigas gerações que contam esta história, somente um grão de arroz por dia. Mas, não encontrou nada. Nem paz, nem clareza. Só um corpo destruído e uma mente demasiado exausta para pensar.
Um dia — quase que a morrer —ouviu junto ao rio um mestre de música a ensinar um aluno a afinar a vina, instrumento de cordas tradicional.
E ouviu o Mestre dizer:
“Se apertares demasiado a corda, ela parte.
Se a deixares demasiado solta, não toca.
A corda tem de estar no ponto certo — nem tensa, nem frouxa.”
Sidarta ficou parado e transportou aquela imagem para a sua vida. Percebeu que tinha passado o tempo a fazer as duas coisas: primeiro, viveu com a corda frouxa. Depois esticou excessivamente a corda até quase romper. O problema, tal como na música, é que a vida realmente vivida só existe no ponto certo entre as duas. No final, acabou por aceitar uma tigela de arroz com leite de uma aldeã que vivia junto ao rio. Comeu e saboreou a comida. Sentou-se debaixo de uma árvore, e sem se castigar ou punir, ficou ali a refletir sobre o rumo a dar à sua vida.
E foi só naquele momento, no ponto certo da corda, que acordou para uma vida diferente e mais feliz.