Eis algumas ideias práticas para que isso não aconteça:
- Usar a IA no final de um raciocínio, não no início. A tentação é pedir a resposta à IA primeiro. Mas quem começa por formar a sua própria opinião — nem que seja num rascunho de três linhas — só depois é que pede à IA para criticar, completar ou desafiar. Esta interação é mais inteligente.
- Manter algumas “dificuldades desejáveis”. Na aprendizagem, o esforço que custa é aquilo que nos ajuda a compreender e memorizar para mais tarde relembrar. Se automatizarmos tudo, deixamos de dominar aquilo que delegamos à IA. Vale a pena escolher o que vamos continuar a fazer para não perdermos o ´músculo´.
- Pedir o “porquê”, não só o “quê”. Aceitar a resposta da IA sem perceber o raciocínio é alimentar a nossa própria preguiça. É importante perguntar - “explica-me como chegaste até aqui” - e a verificar. A IA erra com muita confiança; quem não pensa ou critica, não deteta os erros.
- Tratar a IA como um bom ´Estagiário’ e não como um ‘Mestre’. Quando temos um estagiário revemos o trabalho, questionamos, corrigimos. Com um Mestre, aceitamos sem questionar. A primeira postura mantém-nos no comando. Na segunda entregamos o comando.
- Medir o resultado pelo que se aprende, não só pelo trabalho feito. No final da semana, a pergunta normalmente é - “quanto trabalho fiz?”. Mas, é importante perceber - “fiquei mais capaz ou apenas mais dependente?”. Se a resposta for sempre a segunda, algo está a correr mal.