Storytelling #56 - Liderança Através da Empatia

 
Thu, 2 September 2021 | #covid #politica #liderança
"The only way to change someone's mind is to connect with them from the heart."
Rasheed Ogunlaru

A empatia não é a primeira qualidade que atribuímos a um político, mas é uma das qualidades de liderança que as pessoas mais reconhecem em Jacinda Ardern, Primeira-Ministra da Nova Zelândia.

A pandemia da COVID-19 foi um dos maiores desafios que os líderes mundiais enfrentaram nas últimas décadas. O estilo de liderança que caraterizou Jacinda Ardern durante esta crise acabou por ter um forte impacto nas pessoas. Um dos episódios mais comentados aconteceu no dia 26 de março de 2020, em que Jacinda Ardern fez uma sessão de vídeo, durante a noite, em direto no Facebook sentada no seu sofá para todo o país, depois de declarar o bloqueio da Nova Zelândia 5 dias antes.

Nesta sessão online disponibilizou-se para responder às questões de todos os que estavam a acompanhar. Pediu desculpas por usar um vestuário casual, enquanto estava sentada confortavelmente na sala da sua casa. Começou por explicar que tinha acabado de deitar o seu filho na cama. Mas, antes de dormir, sentia que aquele era o momento de dar uma palavra a todos para que ficassem mais tranquilos durante aquela fase. As suas mensagens foram claras, práticas, ligadas ao dia-a-dia das pessoas e às suas dúvidas. Ao longo do tempo, provaram ser consistentes. E as pessoas ouviram-na. Seguiram-na. Sentiram a sua orientação. E reconheceram-na.

O facto é que a Nova Zelândia é um dos poucos países do mundo que parece, até ao momento, ter gerido com sucesso a pandemia.

Um dos fatores-chave identificados pela própria Organização Mundial de Saúde é que o bloqueio da Nova Zelândia – prematuro para a maioria dos restantes líderes mundiais -provou que uma liderança que colocou como primeira prioridade a preocupação de contágio das suas pessoas (população do país), foi mais eficaz no controlo do vírus. Em entrevista, a própria Jacinda Ardern confirma isso. Mencionando que tem a consciência que um foco excessivo no poder e nos resultados pode implicar, para quem está num papel de liderança, a possibilidade de perder alguma bondade e sensibilidade.