O faraó egípcio Akhenaton teve uma visão que impos ao seu povo ignorando os hábitos e a cultura já existente. Akhenaton foi uma figura notável há mais de 3.000 anos: criou um novo estilo artístico, e fundou uma nova cidade no meio do deserto para ser o centro do império egípcio. Para isso, mandou construir a cidade de Aquetaton (atual Tell el-Amarna) no deserto, para onde mudou o centro político e religioso do império.
Conseguiu impor tudo isto, simplesmente porque era o faraó — por isso, tinha o poder absoluto de simplesmente dizer às pessoas o que deviam fazer. Mas o ponto central desta história, está no que aconteceu depois. Quando Akhenaton morreu.
Tudo aquilo que ele tinha tentado implementar desapareceu, e as pessoas voltaram a fazer as coisas como faziam antes dele. Abandonaram a cidade e os costumes instituídos por ele. Após a sua morte, os seus sucessores rejeitaram as suas reformas, restauraram o politeísmo e tentaram apagar o seu nome e o da sua família dos monumentos, condenando-os ao esquecimento. Talvez por isso, o seu reinado só tenha sido redescoberto na totalidade em virtude das escavações arqueológicas modernas.
Akhenaton não teve em conta como a sua visão se relacionava com aquilo que já estava a acontecer na cultura existente — impôs uma visão isolada, que saiu somente da sua cabeça, sem a ligar aos hábitos e narrativas que já existiam no seu povo.
De facto, uma visão só é duradoura se for construída em cima do que já existe e se incorporar os interesses e as histórias das pessoas que fazem parte — caso contrário, por mais poder que um líder tenha, a mudança não sobrevive.