Storytelling #2

quinta, 23 fevereiro 2017 14:41

O destino por vezes está bem à nossa frente.

Mas pequenos detalhes ou pequenas decisões podem mudar o nosso percurso para o resto da vida.

Esta é provavelmente a aventura mais intensa que vivenciamos na nossa viagem até à data. Após dois meses e meio de iniciarmos este nosso desafio pessoal, encontrávamo-nos a viajar perto da cordilheira dos Anapurnas junto a uma pequena aldeia remota de Bandipur, situada a cerca de 150 quilómetros de Katmandu a capital do Nepal. A caminho de Katmandu, cruzamo-nos com um jovem viajante francês que nos aconselhou a passar por Bandipur um ou dois dias.

A aldeia era muito pequena. As brincadeiras com os mais pequenos levaram-nos a conhecer todas as crianças daquela zona – cerca de 15/20 crianças. No segundo dia eu (Susana) e o Nuno, fomos até ao hostel ver uns emails uma vez que no nosso não tínhamos internet. O Choota Beem, um menino de cinco anos e filho de Ram dono da guest house onde ficávamos, veio comigo. Na paz daquela montanha eu e o Choota olhámos um para o outro em pânico quando sentimos as paredes do hostel a empurrarem-nos e a voltarem ao sítio repetidamente. O Choota saíu a correr à minha frente em direção a casa e eu segui-o, apanhando-o uns metros mais à frente.

A realidade apoderou-se de mim quando as pessoas começaram a gritar, os vasos e outros os objetos começaram a cair. Estava toda a gente com cara de terror. A terra continuava a tremer. Encontrei finalmente o Nuno no meio daquela confusão. Enquanto ouvíamos casas a caírem ficamos abraçados em pânico. Passaram 30 minutos, melhorou mas fomos continuando a sentir mais alguns pequenos abalos. Falamos um com o outro e decidimos que seria melhor ficarmos por ali umas noites até tudo acalmar.

Soubemos mais tarde que o epicentro se localizava apenas a 35 km dali e marcava 8.2 na escala de Richter. Contudo, estávamos seguros nas montanhas, mas chegavam notícias aterradoras do que tinha acontecido em Katmandu.

Despedimo-nos uns dias mais tarde. Foi com emoção, principalmente depois de uma noite em que uma porca deu à luz nove crias mostrando que a natureza tem todo o poder de criar ou destruir, menos as memórias que permanecerão para sempre connosco!!

O destino estava bem ali à nossa frente. O rapaz francês com quem conversamos não mais de 5 minutos na viagem convenceu-nos a alterar a nossa rota evitando assim Katmandu durante o sismo. Tudo isto ajuda-nos a relativizar o que passámos. Poderia ter sido bem pior, ou mesmo fatal.

Nuno Pedra e Susana Vedina

 

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