Storytelling #44 - Vivien Thomas. Uma cirurgia revolucionária

 
"Great minds discuss ideas. Average minds discuss events. Small minds discuss people."
Henry Thomas Buckle

Em 1944 nasceu mais um bebé com a Tetralogia de Fallot. Aqueles que sofriam deste problema eram apelidados de bebés azuis, porque a falta de oxigénio dava-lhes um tom azulado à pele. Um problema grave responsável pela morte de cerca de 50% destas crianças até aos 3 anos de idade na época.

Muitas cirurgias experimentais foram iniciadas na década de 1920 para reverter a situação, mas pouco depois os médicos convencerem-se que a Tetralogia de Fallot era intratável. Vivien Thomas, um homem negro, técnico do laboratório do médico Blalock, tinha entretanto desenvolvido um procedimento que aperfeiçoou em cães.

Este bebé estava já estava na mesa do bloco de cirurgia. Quando Vivien Thomas juntou-se a Helen Taussig (cardiologista pediatra) e ao cirurgião que ia operar a criança – Alfred Blalock, para debaterem uma nova solução cirúrgica. E assim foi, decidiram tentar uma ideia nova que nunca tinha sido testada em humanos.

Desde então, milhões de vidas foram salvas e transformadas em consequência desta nova cirurgia.

O que por vezes a história não nos conta, é que Vivien Thomas era um negro que tinha sido impedido de estudar Medicina nos EUA durante a crise económica de 1929. Anos depois, conseguiu um trabalho no laboratório do médico cirurgião Alfred Blalock em Tennessee.

Thomas tinha sido carpinteiro, mas começou a desempenhar bem a função de assistente de laboratório. Embora, oficialmente, o seu cargo era de ‘porteiro’. Com o passar do tempo, Thomas começou a participar em experiências complexas e a desenhar utensílios médicos. No decorrer dos tempos integrou a equipa de investigadores do laboratório, e trabalhou sempre muito próximo do médico cirurgião.

Em 1941, de acordo com os arquivos da época, Thomas transformou-se no primeiro americano negro com uma bata branca a andar nos corredores de um hospital. Embora com funções e responsabilidades similares, ele recebia um salário mais baixo que os brancos. Para fazer face a isso, e ganhar um pouco mais, era forçado a ter alguns part times em bares das universidades.

Só passados 25 anos é que Thomas recebeu o reconhecimento público pela sua participação naquela que foi uma cirurgia revolucionária. Durante bastante tempo, a cirurgia ficou conhecida como Blalock -Taussig (nome dos outros dois médicos). No entanto, foi Thomas que guiou o médico cirurgião Blalock durante aquela primeira cirurgia de 1944.

O legado de Thomas foi transmitido de geração em geração. Ele próprio, assumiu a responsabilidade de ensinar e treinar vários grupos de estudantes, muitos deles negros, neste novo procedimento cirúrgico testado em 1944.